Constelação-Familiar

Como se posicionar sem causar conflitos

Lembra daquela última vez que você quis se posicionar em relação a alguma informação, notícia ou tema polêmico e não se saiu bem?
Você consegue descrever o mal estar que foi criado só porque você quis dar a sua opinião sobre um assunto?
E depois de tudo mal acabado você ainda ficou com aquela pergunta na cabeça: Mas eu só dei a minha opinião!

Os temas polêmicos são os que mais oferecem esse risco.

Polêmico é todo assunto onde não existe consenso. Ou seja, onde as pessoas, de forma geral, estão divididas em relação a ele. 
Existem alguns temas que nem a ciência consegue oferecer uma resposta definitiva. Pensando nisso, quero dar algumas possibilidades em relação a esse assunto. 
 

Como se posicionar diante de um tema polêmico?

Existem no mínimo 3 posicionamentos para isso. Veja as opções abaixo:

  1. Você evita falar a respeito quando o tema for polêmico. Prefere se ausentar do debate. Pode dizer alguma coisa como: Eu não tenho uma opinião formada sobre isso ainda. Prefiro deixar para os especialistas no assunto. Ou ainda, prefiro ouvir para formar uma opinião bem definida. Isso ajuda a não se prejudicar desnecessariamente.
  2. Você inicia falando sobre o tema com prudência. Tateia com cuidado, mostrando pontos de vista diferentes. Mostra os dois lados da questão. Oferece formas distintas de avaliar o tema. Coloca argumentos contrastantes. Levanta consequências para ambos os lados. E finaliza jogando a definição do tema para os ouvintes. 
  3. Você defende apaixonadamente o tema. Mostra que tem pontos muito bem definidos para si mesmo. Coloca seus argumentos desde os mais fracos para os mais significativos e fortes. Deixa espaço para debate, sem esgotar sua visão do assunto. Você faz isso principalmente se já possui uma imagem pública conhecida por ser defensor sobre o tema em questão. 

Perceba que você nem precisa ser conhecido publicamente para tomar qualquer uma das 3 posições acima. 
Basta que esteja em um grupo de pessoas que já te conhecem. 
Outro dia eu perguntei para um grupo de pessoas se elas já haviam se decepcionado com algum amigo de longa data que revelou ser preconceituoso com alguma coisa que lhe chocou. 
A maioria disse que sim. 
Estou contando isso para dizer que, na maioria dos casos, as pessoas, mesmos as mais próximas não nos conhece. Em muitos casos nem mesmo a gente se conhece bem. 
Então, eu sugiro que você considere os seguintes pontos para tratar bem os assuntos considerados polêmicos.

  • Entenda que nós sempre vamos aprender coisas novas na vida. E que muitas vezes vamos mudar de opinião. Mudamos de time, de partido político, de gosto musical, de paladar, etc. Ficamos mais simples ou mais exigentes em relação a coisas diferentes. Etc. Ou seja, não somos constantes em tudo. A maturidade é o alvo, não as opiniões momentâneas.
  • Observe os temas polêmicos. Porque eles existem? Provavelmente você vai chegar à conclusão de que a humanidade ainda carece de sabedoria para alguns ou, para muitas coisas. Não sabemos de tudo e defendemos as coisas por motivos diferentes. Justamente porque somos diferentes, temos culturas diferentes, vivemos em ambientes diferentes e somos estimulados e formados por situações diferentes. É por isso que pensamos e escolhemos diferente para muita coisa. Já que é assim, será que o mais importante, por enquanto não é manter a paz acima das opiniões? Principalmente se eu não for chamado a definir sobre algo por ser um especialista?
  • Levante todos os dados que puder sobre o assunto. Observe todos os lados, os pontos de vista, as consequências. Faça perguntas ao tema e veja como você mesmo encontra respostas, ou não. Conheça os motivos dos diferentes lados das pessoas que defendem sua posição. Não se permita apaixonar desde o começo mas, exercite seu lado mais racional. Fazendo isso, poderá ter, pelo menos uma visão mais ampla para entrar em um debate, ainda que não tenha uma conclusão sobre o assunto. 

Certa vez, em uma de minhas turmas, falando sobre este tema, uma de minhas alunas levantou a mão e afirmou:

– Professor, eu sou cristã e afirmaria a minha crença sempre, em qualquer situação. Isto para mim é uma questão de honra. Aliás, na Bíblia está escrito que todo mundo deve saber responder adequadamente sobre a sua fé.

Achei esse um bom argumento (aliás, um contra-argumento) para as minhas afirmações acima. 
E respondi com uma pergunta:

– Você se comportaria assim, afirmando ser cristã lá no deserto do Afeganistão diante do exército do talibã? Para que serviria a sua fé neste momento? O que é que ela iria edificar? Como ela poderia salvar você da morte? Isso não seria um desperdício de paixão diante de um problema claro?

Ela pensou por alguns instantes e respondeu que precisaria pensar um pouco. 
Eu busquei ajudar dizendo:
– As coisas precisam ter uma utilidade. E esta utilidade, pelo ser humano, sempre deverá ser aplicada com razão, ou seja, utilizando os artifícios de nossa inteligência. Existem situações onde é mais inteligente manter a vida a fim de manter sua fé viva por mais tempo. 

Existem ambientes onde certas crenças não são aceitas. E isso significa dizer que a inteligência está em todos os lugares. Em alguns mais, em outros menos. O resultado das relações humanas neste sentido vai depender de como usamos nossa inteligência. E a comunicação, ou a boca fechada vai indicar o quanto você saber usar. 

Em filosofia é dito que: Opinião não serve para nada, pois todo mundo tem. O que importa mesmo é a verdade sobre as coisas. 

Sócrates, o filósofo grego, que ficou conhecido como o maior buscador da verdade, foi condenado à morte por afirmar demais as suas verdades. 
Jesus Cristo, conhecido por SER a própria verdade, foi condenado à morte por afirmar isso.

Eu, que não estou nem próximo de um deles acima, prefiro sair do debate. 

O que você acha?

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