Ficamos admirados quando percebemos pessoas que se comunicam bem.
Eles acabam virando referência por causa disso.
Conseguem obter acordos melhores, justamente porque se comunicam melhor.
Mas isso não quer dizer que eles tem os melhores desejos, seguem as melhores filosofias, ou possuem os melhores ideais.
Algumas das personalidades mais marcantes da história humana, que deixaram sua marca pelas ações que manifestaram, foram, tanto cruéis quanto benéficos. E muitos deles eram ótimos comunicadores. 
Você consegue imaginar alguns nomes, não é?

Pois bem. Eu vejo que estamos de acordo que é bom ter uma comunicação de alto nível!
Mas, também penso que devemos concordar sobre as intenções do comunicador. Que elas devem ser de alto nível também. 
E quando falo em alto nível, penso logo nos universais de Aristóteles, ou seja:
Justiça, paz, liberdade, amor, saúde, bondade, etc. 

Você não acha que isso deveria ser o foco dos grandes estadistas, por exemplo?

É certo que existe hoje, esse negócio da força da mídia deslocando o foco de atenção das massas para sua visão ideológica. E isso atrapalha em muito a percepção real dos fatos. Recebemos as coisas acompanhadas de interpretação pessoal.

Parece que estamos encobertos por um véu que nos define dentro de um viés, seja político, seja filosófico, etc. E parece que sempre tem muita gente com interesse nisso. O poder que os humanos tanto buscam passa pelo exercício desse poder sobre seu semelhante. Triste isso!

O grande desafio, ao meu ver é conseguir sobreviver além das bolhas criadas de tempos em tempos. Digo isso porque sou de 1965 e vi essas coisas surgirem como que do nada a partir de 1998 no Brasil.
Depois fui percebendo que isso parecia ser uma tendência no mundo todo. E nem era novo.

Parece que o ser humano não consegue sair da dicotomia do bem e do mal com facilidade. Vive colocando seus próprios irmãos na posição de inimigos apenas por pensarem diferente.

A comunicação e seu estudo consegue mostrar o que está além disso. Talvez seja por isso que eu gosto tanto dessas coisas. Eu consigo enxergar bem além dos limites de visão impostos pela mídia de massa, pelos ideais de esquerda e de direita, pelos posicionamentos culturais, etc. 

Não há como negar que existem coisas boas em todos os espectros. E ruins também, claro. 

Porém, é fundamental que consigamos perceber o que está além disso tudo. Porque, no limite desses espectros, isso é uma luta insana que no final das contas não tem data pra acabar. 

Esta luta se alimenta dela mesma. É como se fosse uma gigantesca balança buscando seu próprio equilíbrio tendo em cada um de seus lados seu oposto. Não há um propósito maior sendo almejado. Aliás, o que seria um propósito maior é anulado no meio da luta insana. 

Só quando as pessoas se veem diante do desespero e em um beco sem aparente saída é que buscam a saída pra cima. (algumas para baixo).

Essa digressão que eu fiz acima é parte das percepções que os estudos sobre a comunicação me levam. E leva qualquer pessoa a perceber. Isso é só o começo dessa percepção. 

Somos muito maiores do que nossos conflitos. Eles é que são pequenos. A questão final é que nossas ações dão significado ao que somos e mostram nosso tamanho. E viver dentro dessa confusão toda não deveria ser o que nos define. 
Não acha?

O que você quer que te defina?

Sidnei Miranda

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